A Prefeitura do Rio passou a incluir perguntas sobre apostas esportivas e jogos de azar nas consultas de rotina da rede municipal de saúde. A medida, iniciada em agosto, busca identificar a dependência de jogos antes que o problema se agrave, alcançando pacientes que não procuram a rede espontaneamente por esse motivo.
Em uma semana, 3.070 pacientes responderam ao questionário. Desse total, 22 relataram necessidade de apostar valores cada vez maiores e 15 afirmaram ter mentido para familiares sobre os gastos. O rastreamento ocorre durante atendimentos da Atenção Primária, com as respostas registradas no prontuário eletrônico.
O secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, afirmou que muitas pessoas não relatam o problema com apostas inicialmente, e o transtorno pode aparecer associado a queixas de insônia, ansiedade ou depressão. A rede conta com cerca de 240 unidades entre Centros Municipais de Saúde e Clínicas da Família, além de 40 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
O tratamento varia conforme o risco. Casos de baixo risco recebem orientações de prevenção e redução de danos na Atenção Primária, incluindo a instrução sobre o bloqueio do CPF em plataformas de apostas via governo federal. Riscos moderados são acompanhados por psicólogos e psiquiatras, enquanto situações de alto risco podem exigir cuidados complexos na rede psicossocial e uso de medicamentos.
A Secretaria Municipal de Saúde também incluiu acolhimento para familiares afetados pelo comportamento compulsivo, especialmente quando o apostador não reconhece o vício. Antes do novo protocolo, um levantamento do Núcleo de Inteligência Assistencial identificou 1.378 pessoas com relatos de sofrimento ligados a apostas.
Entre os pacientes que buscaram ajuda, 567 eram homens, representando quase 60% do total, com idade mediana de 37 anos. O perfil dos familiares afetados era composto por 85% de mulheres, com idade mediana de 45 anos. A apuração também identificou 25 pacientes menores de 18 anos, sendo 22 meninos.


