Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu US$ 1,66 milhão, cerca de R$ 8,5 milhões, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, em 16 de setembro de 2025, data posterior à indicada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como o último pagamento.
O valor foi destinado ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos que administra os recursos da produção. Em maio deste ano, Flávio Bolsonaro afirmou à imprensa que o último repasse do dono do Banco Master havia ocorrido naquele mês. O novo registro do Coaf indica que a transferência de setembro aconteceu oito dias depois de o senador cobrar Vorcaro, via áudio, para que os compromissos financeiros fossem honrados.
Com a nova identificação, o total de repasses de Vorcaro ao fundo chega a US$ 12,3 milhões (aproximadamente R$ 65 milhões). Anteriormente, eram conhecidos pagamentos de cerca de US$ 10,6 milhões. Documentos sugerem ainda a possibilidade de novos repasses em outubro de 2025, após o publicitário Thiago Miranda questionar o banqueiro sobre a liberação de parcelas, mas o Coaf não quantificou esse valor no material divulgado.
As informações surgiram no mesmo dia em que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de investigação com mensagens apreendidas no celular de Vorcaro. O material também envolve relações do banqueiro com integrantes da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Judiciário.
Questionado no Senado, Flávio Bolsonaro evitou explicar a transferência, afirmou que não havia “fato novo” e atribuiu a responsabilidade pelos esclarecimentos à produtora do filme. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou nesta terça-feira (1º) que não tinha conhecimento do repasse e que cabe ao senador prestar as explicações à sociedade.
A produtora do filme, Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro não responderam aos questionamentos da apuração.


