A investigação sobre o envolvimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro depende de aval do Plenário da Corte. O regimento interno do tribunal estabelece que o colegiado, composto por onze ministros, é a instância responsável por processar e julgar integrantes da Corte.
O relator do caso, ministro André Mendonça, concedeu cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre relatório da Polícia Federal (PF) que detalha mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. Ao retirar o sigilo do processo nesta segunda-feira (31), Mendonça afirmou que o encaminhamento ao Plenário é o caminho inevitável para a análise técnica e jurídica dos novos elementos.
O documento entregue a Mendonça na quinta-feira (27) indica que Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teve conhecimento da investigação que fundamentou sua prisão em novembro do ano passado com antecedência significativa. Anteriormente, os investigadores tratavam o interlocutor do banqueiro como uma pessoa não identificada.
A PF chegou ao nome de Moraes após cruzar capturas de tela de blocos de notas enviadas via WhatsApp por Vorcaro com um terminal salvo no aparelho como ‘Alexandre de Moraes BRASÍLIA’. O relatório também implica a esposa do ministro, a advogada Viviane Barci. As evidências foram coletadas durante a Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias no Banco Master.
Mendonça havia determinado, na segunda-feira (24), que a PF identificasse em 24 horas todos os integrantes de uma suposta rede de influência e monitoramento gerenciada por Vorcaro, incluindo pessoas com foro por prerrogativa de função. Após a manifestação da PGR, caberá ao presidente do STF, Edson Fachin, agendar a data do julgamento.


