O ex-quarterback do San Francisco 49ers, Colin Kaepernick, lançou o livro “The Perilous Fight”, no qual acusa a National Football League (NFL) de boicotá-lo por suas posições políticas. O atleta de 38 anos afirma que a liga mantém uma lista negra e que as medidas contra o racismo adotadas pela organização são superficiais.
Em entrevista à NBC News, Kaepernick declarou que não pretende se reconciliar com a NFL por considerar a resposta da liga às denúncias de racismo como “falsa”. O jogador, que não atua profissionalmente desde o final da temporada de 2016, disse que a organização nunca assumiu a responsabilidade pelo tratamento dado aos atletas que protestaram contra a injustiça racial.
Na obra, que une autobiografia e manifesto político, o ex-atleta revela que a decisão de se ajoelhar durante o hino nacional, em setembro de 2016, surgiu de uma conversa com o então companheiro de equipe, Eric Reid. O gesto foi replicado por dezenas de jogadores, mas Kaepernick tornou-se o alvo principal de críticas, inclusive de Donald Trump.
O autor afirma que diversos treinadores demonstraram interesse em contratá-lo ao longo dos últimos anos, porém foram impedidos por superiores. Ele relembrou que, em uma reunião com o Seattle Seahawks em 2017, foi questionado repetidamente sobre suas opiniões políticas, o que classificou como algo que daria motivo a um processo judicial fora da NFL.
Kaepernick também criticou a postura do comissário da NFL, Roger Goodell, após a morte de George Floyd em 2020. Para o jogador, as declarações da liga na época foram apenas uma reação à pressão pública. Ele descreveu a atitude de admitir que a liga deveria ter escutado os atletas enquanto ele permanece impedido de jogar como “puro teatro”.
A NFL informou à NBC News que as questões levantadas pelo atleta continuam sendo importantes para a liga e citou a iniciativa Inspire Change. Kaepernick rebateu a resposta, afirmando que nenhuma das ações implementadas demonstra uma mudança real.


