Autoridades financeiras do Japão comprometeram-se, nesta quarta-feira (2), a monitorar a estabilidade do iene para evitar a aceleração da inflação doméstica e proteger a economia global. A medida ocorre em um cenário de dependência de importações de alimentos e energia, que tornam o país vulnerável à desvalorização da moeda.
A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, afirmou, após reunião do G20, que intervenções cambiais coordenadas auxiliam na estabilidade dos mercados. Katayama informou que as ações do governo japonês no mercado de câmbio foram realizadas em coordenação com os Estados Unidos e que não houve discordância entre os chefes financeiros globais.
O presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, declarou que os indicadores econômicos seguem as projeções da instituição. Ele afirmou que a possibilidade de novos aumentos nas taxas de juros será considerada com base nas condições de preços e financeiras, alertando que os movimentos cambiais são um fator de risco que exige atenção rigorosa.
A inflação subjacente do país encontra-se próxima da meta de 2% estabelecida pelo BoJ. Segundo Ueda, a instituição deve ser cautelosa para evitar que esse índice supere o limite planejado, especialmente diante da fragilidade do iene.
Hajime Takata, membro do conselho de política monetária do BoJ, defendeu a adoção de uma abordagem flexível para a alta dos juros. Em discurso a líderes empresariais, Takata descreveu o ano como uma “mudança de regime”, sugerindo que os ajustes sejam ágeis e dependentes de dados econômicos e tendências externas.
Takata, que já havia proposto elevar a taxa básica para 1,25% em julho, disse que o BoJ precisa levar a taxa a um nível neutro para evitar efeitos secundários na alta dos preços. A proposta anterior foi rejeitada por oito votos a um, mantendo a taxa em 1% desde junho.


