A Alemanha acompanha com expectativa a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, que ocorre neste domingo (6). O pleito é marcado pelo avanço do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), classificado pelo serviço interno de inteligência do país como extremista de direita, em meio a debates sobre migração e disparidades econômicas regionais.
A economia é um dos eixos centrais da disputa. A taxa de desemprego no estado é superior à média nacional e a renda média dos trabalhadores em tempo integral fica abaixo do índice geral da Alemanha. Dos 2,1 milhões de habitantes, pouco mais de 800 mil possuem empregos formais com contribuição previdenciária.
A indústria química, concentrada no triângulo entre Leuna, Merseburg e Bitterfeld-Wolfen, é um dos principais motores de renda. O setor produtivo também depende de fabricantes de máquinas e equipamentos, incluindo fornecedores da indústria automobilística. Já o comércio, transportes e hotelaria respondem por cerca de 20% das vagas, impulsionados pelo turismo em cidades como Wittenberg e Quedlinburg.
O PIB per capita da região alcança cerca de 75% da média alemã, reflexo de um crescimento mais lento que o do país e de uma proporção de aposentados maior que a média nacional. A AfD utiliza a percepção de que os estados do Leste ainda não atingiram o nível socioeconômico do Oeste para atrair apoio, especialmente de eleitores jovens.
A migração também pauta a campanha. Dados oficiais indicam que, desde 2016, o número de estrangeiros que se mudam para a Saxônia-Anhalt é maior do que o de quem deixa o estado. No fim de 2025, a proporção de estrangeiros na população era de 9%, metade do percentual registrado na Renânia do Norte-Vestfália.
Apesar de a proporção de estrangeiros beneficiários de auxílios sociais ser baixa na região em comparação ao restante da Alemanha, a propaganda de partidos extremistas mantém a narrativa de que imigrantes oneram os contribuintes. A tendência de fortalecimento desses grupos persiste mesmo com a divergência entre os dados econômicos e o cenário apresentado nas campanhas.


