O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou ações para barrar seis candidaturas nas eleições de 2026 no Rio de Janeiro com base na tese de influência do crime organizado. As contestações, que envolvem suspeitas de ligações com tráfico de drogas, milícias e jogo do bicho, ganharam visibilidade após o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferir o registro do deputado estadual Val Ceasa (PRD).
Segundo balanço do Ministério Público Federal (MPF), 15 candidaturas no estado foram contestadas pelo MP Eleitoral, sendo sete delas relacionadas a grupos criminosos. Entre os alvos estão João Drumond (PRD), candidato a deputado estadual, cujo parentesco com nomes do jogo do bicho é citado pelo MPE como vínculo com a contravenção. Drumond nega qualquer envolvimento.
A candidata a deputada federal Mariana de Souza (Progressistas) também é alvo de ação por supostos vínculos com o Comando Vermelho, através de relação familiar. Já o vereador Júnior da Lucinha (PSD), candidato a deputado estadual, é acusado pelo MPE de tentar preservar um “espólio político-territorial” de milícias na Zona Oeste, em bairros como Santa Cruz e Campo Grande. A defesa do vereador afirma que inquérito anterior foi arquivado por falta de provas.
Outros processos incluem Diego Alba (PSDB), com registro contestado por condenação em primeira instância por formação de quadrilha armada em 2009; o deputado estadual Renato Machado (PT), citado em inquéritos policiais; e Clébio Jacaré (União Brasil), que responde a ação penal por organização criminosa e corrupção passiva.
A decisão contra Val Ceasa gerou repercussão jurídica por ter ocorrido sem condenação criminal definitiva. A relatora, desembargadora Tathiana de Carvalho Costa, considerou que havia indícios de proximidade com o Terceiro Comando Puro (TCP), como a concentração de votos em áreas da facção e a atuação do parlamentar junto ao 16º BPM para questionar operações contra imóveis do grupo.
O TRE-RJ também encaminhou documentos ao MPE para avaliar se o Partido Renovação Democrática (PRD) deve ser alvo de ação própria por sua responsabilidade na escolha de candidatos. Os pedidos de registro devem ser julgados até 14 de setembro, com possibilidade de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


