Recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizam, até esta quinta-feira (3), abordagens à população em situação de rua de Goiânia. A etapa de teste serve para validar as estratégias do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua, com realização prevista para 2028.
As atividades começaram no dia 31 de agosto e ocorrem entre 18h e 1h. O objetivo é testar a metodologia na prática e identificar dificuldades que possam comprometer a coleta de dados. O IBGE utiliza grupos focais compostos por pessoas em situação de rua, servidores da área e integrantes da Pastoral de Rua para avaliar a forma como as perguntas são feitas e recebidas.
A operação foi dividida em cinco equipes, cada uma com cerca de quatro pesquisadores. Segundo Eduardo de Matos, presidente do Movimento Nacional da População em Situação de Rua em Goiás, cada profissional é acompanhado por observadores que avaliam o traquejo do recenseador e a efetividade da abordagem.
As equipes seguem roteiros baseados em mapeamento prévio de locais com maior concentração de pessoas. Na segunda-feira (1º), as abordagens ocorreram na região da 44 e na Praça Cívica. A diversidade dos locais permite observar como os profissionais lidam com diferentes contextos cotidianos.
Matos afirmou que o caráter inédito do levantamento é um dos principais desafios, exigindo a adaptação da metodologia tradicional do IBGE para lidar com o estigma e o preconceito social. O teste também busca entender realidades distintas, como as de idosos, egressos do sistema prisional e pessoas LGBTQIA+.
A compreensão desses perfis é considerada fundamental para subsidiar políticas públicas de habitação, saúde e assistência social. De acordo com Matos, a realização do levantamento tem o objetivo de tornar essa população visível para o poder público e para as políticas do país.


