O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta quarta-feira (2) que as nações do Oriente Médio devem ser donas de seus próprios assuntos e buscar uma nova arquitetura de segurança regional. Em sua primeira visita ao Egito em uma década, Xi defendeu que potências externas abandonem padrões de dois pesos e duas medidas.
Durante encontro com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, Xi Jinping assinou acordos de cooperação em comércio, cadeias de suprimentos e inteligência artificial. Os dois líderes concordaram em ampliar os investimentos na Zona Econômica do Canal de Suez, área estratégica para as rotas marítimas entre Ásia, Europa e Oriente Médio.
A Presidência egípcia informou que os países, ambos integrantes do grupo Brics, lançarão a terceira fase de uma zona industrial conjunta. O complexo atual abriga cerca de 200 empresas e soma investimentos estimados em US$ 4 bilhões (R$ 20,6 bilhões). O governo do Egito não detalhou os valores dos novos aportes.
A agência oficial chinesa Xinhua relatou que Pequim se dispôs a trabalhar com todas as nações para proteger rotas marítimas e eliminar focos de conflito. A medida ocorre diante dos impactos de crises regionais no tráfego nos estreitos de Ormuz e de Bab al-Mandeb.
A viagem antecede reunião prevista para este mês entre Xi e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O movimento chinês ocorre enquanto Washington ameaça ampliar sanções contra quem comercializa com o Irã, país do qual a China é a principal compradora de petróleo, detendo mais de 80% das compras.
O Egito recebe anualmente US$ 1,3 bilhão (R$ 6,9 bilhões) em ajuda militar dos Estados Unidos. Segundo a imprensa local, Sisi afirmou em artigo publicado antes da visita que o Cairo busca adotar uma política de equilíbrio estratégico diante da rivalidade entre as potências.


