O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestou depoimento na semana passada ao gabinete do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF). A audiência foi conduzida por um juiz auxiliar e um representante do Ministério Público, mas ocorreu sem a participação de agentes da Polícia Federal (PF).
A ausência da PF foi justificada pelo gabinete de Mendonça como uma resposta a um requerimento da defesa de Vorcaro. O ex-banqueiro relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. O magistrado afirmou que as normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) preveem o afastamento da equipe policial responsável pela investigação para garantir a incolumidade física e psicológica do depoente.
A nota do gabinete cita a Resolução CNJ 213 de 2015, com alterações da Resolução 562 de 2024, para fundamentar a decisão. O texto informa que a não convocação de agentes policiais seguiu a diretriz de proteção e não foi uma escolha de conveniência do gabinete.
O conteúdo da audiência está sob sigilo legal. O gabinete do ministro negou a informação de que temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes tenham sido abordados durante o depoimento.
Na mesma semana, Vorcaro também foi ouvido pela Polícia Federal. Os investigadores buscam informações para apurar se houve corrupção de agentes públicos em favor do Banco Master.
O advogado Daniel Bialski, que representa o ex-banqueiro, foi procurado para detalhar quais seriam as intimidações que motivaram o pedido de urgência, mas a defesa informou que não vai se manifestar.


