A Comissão de Relações Exteriores (CRE) aprovou, nesta quarta-feira (2), a indicação do diplomata Félix Baes Baptista de Faria para chefiar a Embaixada do Brasil na República do Mali. A decisão, tomada por nove votos favoráveis e um contrário, segue agora para votação no Plenário do Senado.
O relator da matéria, senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), afirmou que o Mali ocupa a 188ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo Mourão, o país enfrenta problemas com grupos islâmicos radicais, mas a conexão com a região é estratégica para o Brasil devido ao princípio geopolítico de domínio das costas opostas e a vínculos históricos.
Félix Faria participou da sabatina por videoconferência do Kuwait. O diplomata declarou que pretende atuar em três frentes: segurança alimentar, mineração e proteção dos brasileiros residentes no Mali. Na agricultura, sugeriu a cooperação em agricultura familiar, enquanto na área mineral citou o potencial de exploração de lítio e a venda de equipamentos brasileiros.
A instabilidade política no Mali cresceu a partir de 2012, com a rebelião tuaregue e o avanço de grupos extremistas ligados à Al-Qaeda. O país teve a presença de tropas francesas desde 2013 e de uma missão de paz das Nações Unidas até 2023. Após o golpe de Estado de 2020, o governo de Assimi Goïta rompeu com a França e buscou apoio de segurança com a Rússia.
Sobre a pauta econômica, Mourão informou que o comércio entre as nações é reduzido. Dados do Ministério das Relações Exteriores mostram que as importações brasileiras de produtos do Mali somaram US$ 4 mil em 2025. Já as exportações do Brasil chegaram a US$ 1,71 milhão, sendo que 94,1% do volume consistiu em produtos comestíveis.


