O senador Renan Filho (MDB) e o prefeito JHC (PL) trocaram provocações nas redes sociais nesta quarta-feira (2), no contexto da disputa pelo governo de Alagoas. Os embates envolvem investigações da Polícia Federal sobre a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (IPREV) e supostos desvios de R$ 100 milhões no SUS.
Renan Filho utilizou um contador, que chamou de “silenciômetro”, para questionar por que JHC não se manifestou há 23 dias sobre as aplicações do IPREV no Banco Master. A Polícia Federal apura irregularidades em investimentos feitos entre 2023 e 2024, sob a gestão de Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-presidente do instituto indicado por JHC.
Segundo a PF, cerca de 20% do patrimônio do instituto foi aplicado em ativos de risco sem os estudos necessários. A investigação indica que, em dezembro de 2023, o Banco Master ainda não estava na lista de instituições elegíveis do Ministério da Previdência para receber recursos de regimes próprios.
Em resposta, JHC publicou um vídeo com imagens de Renan Filho, do governador Paulo Dantas (MDB) e do senador Renan Calheiros (MDB) ao lado de Gustavo Pontes de Miranda, secretário estadual de Saúde. O prefeito referiu-se ao secretário como “gordinho topado”, mencionando que ele é acusado pela Polícia Federal de desviar R$ 100 milhões.
A Operação Estágio IV investiga lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos emergenciais e ressarcimentos médicos. Gustavo Pontes de Miranda foi afastado do cargo em dezembro de 2025 por decisão judicial, mas retornou em fevereiro deste ano após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu habeas corpus.
O governador Paulo Dantas afirmou, à época do afastamento do secretário, que não compactuava com irregularidades e criou uma comissão especial para acompanhar o caso. O secretário de Saúde negou as acusações e criticou a condução da operação policial.
Sobre a disputa do IPREV, Renan Calheiros havia movido ação popular em junho pedindo o bloqueio de bens de JHC. No entanto, a 32ª Vara Cível de Maceió retirou o prefeito do processo em julho, alegando que não houve individualização de conduta e que o instituto possui autonomia administrativa e financeira.


