Novos medicamentos em fase de testes, que devem ser comercializados em formato de canetas aplicadoras, prometem combater a perda de massa muscular e o envelhecimento sem os efeitos colaterais de esteroides anabolizantes. As drogas visam tratar a sarcopenia causada por obesidade, sedentarismo, diabetes, câncer e a fragilidade física decorrente da idade.
Entre as substâncias estudadas está o ácido L-B-aminoisobutírico (L-BAIBA) e anticorpos monoclonais com alvos específicos, como o Apitegromab, o Bimagrumab e o Trevogrumab. Segundo a apuração, existem centenas de testes clínicos em curso no mundo envolvendo ao menos 40 substâncias candidatas. Diferente da testosterona, esses fármacos não são hormônios esteroides e não agridem o coração ou o fígado.
A estratégia de algumas dessas drogas consiste em bloquear a miostatina e a activina, proteínas que atuam como freios ao crescimento muscular. Quando desreguladas, essas proteínas levam à perda de força e massa. Felipe Henning Gaia, chefe do Serviço de Endocrinologia Oncológica do Centro de Câncer A.C. Camargo, afirmou que a chegada dos medicamentos é bem-vinda para manter a população idosa ativa e independente.
Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explicou que as drogas servem para evitar perdas significativas, mas não para ganho extra de massa magra. Macedo informou que, quando combinadas com canetas emagrecedoras, as substâncias conseguem minimizar a perda de músculos, embora sejam necessários mais estudos para confirmar a eficácia.
A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA, deve informar até 30 de setembro se autoriza o Apitegromab para o tratamento de atrofia muscular espinhal. Se aprovado, o fármaco poderá ser comercializado nos Estados Unidos no fim deste ano ou no início de 2027. O Bimagrumab, que passou pela fase 2 de testes, poderia chegar ao mercado em 2029.
Felipe Gaia estimou que as versões mais avançadas desses medicamentos podem chegar ao Brasil entre 2028 e 2029. O formato de canetas é preferível ao oral porque os anticorpos monoclonais são proteínas que seriam destruídas pelo estômago.


