O governo Luiz Inácio Lula da Silva realiza um evento no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (3), para anunciar que zerou a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A afirmação baseia-se em um critério que desconsidera milhares de pessoas que aguardam a análise de requerimentos há menos de 45 dias.
Dados parciais até 24 de agosto indicam que a fila de requerimentos caiu para 1,282 milhão. O número representa uma redução de 59% em comparação a janeiro, quando 3,073 milhões de pedidos aguardavam resposta. O Ministério da Previdência informou que este é o menor patamar registrado desde 2023.
O diretor de Benefícios do INSS, Leonardo Bittencourt, declarou em reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) que os processos com espera superior a 45 dias somaram 261 mil em agosto. O volume é 86% menor do que os 1,882 milhão registrados em janeiro. Bittencourt informou que a média de concessões subiu para 730 mil benefícios por mês entre janeiro e julho, contra 641 mil no mesmo período de 2025.
O presidente Lula afirmou que a espera de 45 dias é normal. A apuração indica, porém, que o governo aumentou em 70% o número de requerimentos indeferidos entre janeiro e maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. Este é o maior índice de indeferimentos desde 2021.
O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu manter a concessão de benefícios previdenciários na Lista de Alto Risco da administração pública federal. A medida ocorre devido à persistência da fila e ao aumento das negativas de pedidos. O órgão criou a lista em 2022 para alertar sobre pontos que podem comprometer a qualidade dos serviços prestados à população.
Técnicos do TCU reconhecem os planos de emergência do governo, mas afirmam que a evolução não é suficiente para retirar o tema da lista. A área técnica identificou que a produção de análises ficou estagnada, com ciclos recorrentes de déficit produtivos e vulnerabilidades na capacidade operacional.


