Editoriais de três grandes veículos de imprensa defenderam, entre terça (1º) e quarta-feira (2º), a saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) ou a necessidade de uma resposta urgente da Corte. A pressão ocorre após a divulgação de documentos do caso Banco Master que revelam a relação entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A movimentação começou após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirar o sigilo de um relatório de 218 páginas e de outros arquivos da Polícia Federal (PF). O material, extraído do celular de Vorcaro, contém mensagens, contratos e registros de encontros. Segundo a apuração, o banqueiro teria procurado Moraes para tratar do avanço de investigações e questionado sobre a possibilidade de adiar ações policiais.
Nas mensagens atribuídas a Vorcaro, o empresário pede que o ministro converse com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O texto indica ainda que o banqueiro perguntou a Moraes se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso.
Um dos veículos afirma que a responsabilidade institucional já justifica a saída do magistrado, independentemente de investigação sobre interferência em apurações ou transmissão de dados reservados. O texto compara a situação ao desgaste de Dias Toffoli, que deixou a relatoria das investigações sobre o Banco Master.
Outro editorial defende a renúncia imediata ou a abertura de um processo de impeachment no Senado. O jornal cita a existência de contratos firmados entre empresas ligadas ao banqueiro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Um terceiro veículo cobrou que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, convoque o plenário com urgência para examinar a questão. O texto critica a tentativa de Gonet de anular o relatório da PF e indica que o Senado deverá agir caso o tribunal demore a responder.
Moraes não se manifestou publicamente sobre as mensagens até a publicação da reportagem. O relatório da PF não é conclusivo e outros aparelhos apreendidos na operação ainda podem ser analisados.


