A União Europeia iniciou, nesta quinta-feira (3), o embargo às exportações brasileiras de produtos de origem animal. A medida suspende a entrada de carnes bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos, após o bloco avaliar que os mecanismos de controle de antimicrobianos do Brasil são insuficientes.
A decisão, anunciada em maio, ocorreu depois que o Brasil foi retirado da lista de países em conformidade com as regras europeias sobre o uso de substâncias para tratar infecções em animais. A legislação do bloco proíbe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e restringe substâncias reservadas ao tratamento humano. A Comissão Europeia informou que as exportações poderão ser retomadas caso o país comprove o cumprimento das exigências.
Técnicos da União Europeia realizam auditoria no Brasil até sexta-feira (4) para avaliar as cadeias de frango e mel. O resultado passará por análise das autoridades europeias em um processo que pode levar dois meses. No caso do frango, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) espera a retomada ainda em 2026, dado que o ciclo de abate é de 45 dias.
A carne bovina terá a recuperação mais lenta. Mesmo com a reversão do embargo, a retomada pode levar dois anos, pois os novos protocolos exigem controle de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida do animal, que varia entre 24 e 36 meses. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera o mercado estratégico por absorver cortes de maior valor agregado, embora represente 5,8% das exportações do setor.
O governo brasileiro tenta reverter a decisão. Em abril, o Ministério da Agricultura proibiu o uso de substâncias como avoparcina, virginiamicina e bacitracina. Em junho, o país apresentou um novo protocolo com rastreamento dos animais do nascimento ao abate. A Abiec afirmou que todas as empresas habilitadas a exportar para o bloco já aderiram ao sistema.
O setor de mel também foi atingido. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), as vendas para a Europa dobraram no primeiro semestre, atingindo US$ 6,3 milhões. A entidade aponta que a principal preocupação é a contaminação cruzada em colmeias próximas a áreas de criação de gado.
A suspensão ocorre em meio a tensões sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Representantes do agronegócio brasileiro classificaram a medida como protecionista. Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a exportar produtos animais para o bloco. A Confederação Italiana de Agricultores manifestou apoio ao bloqueio, sugerindo uma mudança na política comercial europeia.


