Áudios e mensagens revelam que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) solicitou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, a intercessão em favor de seu advogado e ex-assessor, Thiago Rodrigues de Faria, para liberar um ativo minerário que passava por análise técnica na instituição financeira em março de 2025.
Na gravação, o parlamentar utiliza termos carinhosos para se dirigir ao empresário e encaminha a demanda do aliado. Vorcaro respondeu aceitando receber o contato do advogado e afirmou que ambos estavam “na guerra juntos”. O conteúdo dos autos não indica se a solicitação resultou em liberação financeira ou comercial do ativo.
A interlocução ocorre em meio a investigações da Polícia Federal (PF). Em setembro de 2025, a Operação Rejeito expediu 22 mandados de prisão preventiva contra suspeitos de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima (MG). Inquéritos apontam que a empresa de Thiago Faria firmou contrato com a Gmais Ambiental em janeiro de 2025, prevendo comissões entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões para a venda de direitos de lavra da Mineração Topázio Imperial, em Ouro Preto (MG).
Questionado, o advogado afirmou que as perguntas são irrelevantes e que trabalha na área de mineração, alegando que nunca foi chamado a depor na PF. Ele informou que o deputado não se manifestaria por estar em agenda de campanha.
Outras evidências apontam que Vorcaro custeou voos de Nikolas Ferreira durante o segundo turno das eleições de 2022, em nove estados e no Distrito Federal. O parlamentar alegou ter descoberto a autoria do custeio posteriormente. Em abril de 2024, o deputado chegou a criticar um evento em Londres patrocinado pelo Banco Master, mas apagou as publicações após intervenção do pastor André Valadão e conversas com intermediários.
Vorcaro está preso sob acusações de liderar fraudes no sistema financeiro, pagamento de propinas e obstrução de investigações. A rede de contatos do ex-banqueiro inclui transferências de US$ 12,3 milhões para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, após cobranças do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e encontros reservados com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).


