A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals obteve apoio preliminar para a maior parte da dívida de US$ 314 milhões necessária para o desenvolvimento do projeto de terras raras Colossus, em Poços de Caldas (MG). O presidente da companhia, Rafael Moreno, informou que a expectativa é receber as propostas finais de bancos até o início de outubro.
A empresa prevê anunciar até o fim de setembro um acordo de parceria tecnológica e de venda de produção com a química belga Solvay. A companhia europeia deve atuar nas etapas de extração por solventes e separação, tecnologias essenciais para o processamento de minerais que, atualmente, possuem baixa oferta fora da China.
O estudo definitivo de viabilidade, concluído em agosto, estima investimentos totais de US$ 449 milhões. Desse montante, US$ 135 milhões referem-se a capital próprio, valor que Moreno afirmou já ter sido garantido por meio de captação com investidores, incluindo brasileiros. A operação comercial deve começar em 2028 com capacidade de produzir 2.967 toneladas anuais de óxidos magnéticos de terras raras (MREO).
Entre os potenciais financiadores do projeto está o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Viridis também mantém conversas com agências de crédito à exportação e instituições financeiras internacionais. Com a conclusão do estudo de viabilidade, a mineradora pretende iniciar a contratação de equipamentos nos próximos dias, visto que algumas máquinas possuem prazo de fabricação de 15 meses.
Sobre a recente aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos pelo Congresso, Moreno disse que a medida está alinhada à estratégia da empresa de agregar valor à produção no Brasil. O executivo afirmou que a nova legislação não altera os planos do projeto Colossus e que a iniciativa visa suprir a ausência de uma indústria de terras raras no país.
O setor de terras raras no Brasil registra outros movimentos recentes. Na semana passada, a mineradora australiana St George Mining assinou um protocolo de intenções com o grupo brasileiro Lima & Pergher para a criação de um centro de processamento em Uberlândia (MG), com investimento estimado em R$ 2 bilhões.


