A Faceng Engenharia, controlada por Fabrício Faleiro Ferreira, marido da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e por Bruna Victória Leão Machado de Araújo, filha da gestora, recebeu R$ 1,4 milhão da Real JG Facilities, empresa que mantém contratos com o Governo do Distrito Federal (GDF), segundo a imprensa local.
Os repasses foram registrados em 14 notas fiscais de R$ 100 mil cada, emitidas mensalmente entre maio de 2025 e junho de 2026. Em julho, houve um pagamento adicional de R$ 100 mil destinado à 3J Facilities, empresa que presta serviços para a Real JG. A sequência de pagamentos começou quando Celina Leão era vice-governadora e continuou após ela assumir o comando do Palácio do Buriti, em 28 de março de 2026.
A Real JG Facilities possui histórico de contratos com diversos órgãos da administração pública, incluindo as secretarias de Educação, Economia e Administração Penitenciária, além do Detran-DF e do Tribunal de Contas do Distrito Federal. Dados do Portal da Transparência indicam que a companhia recebeu mais de R$ 2,015 bilhões em pagamentos entre 2013 e 2026.
Um dos acordos, firmado em agosto de 2024 com o gabinete do vice-governador, totaliza R$ 2,23 milhões com vigência até agosto de 2029. A assessoria de Celina Leão informou que a contratação ocorreu por pregão eletrônico com 36 empresas participantes e envolve sete trabalhadores, ao custo mensal de R$ 50 mil, além de materiais para a estrutura da Vice-Governadoria.
As notas fiscais da Faceng citam a administração de obras civis, hidráulicas e elétricas, mas não especificam endereços ou projetos. A assessoria de Fabrício Faleiro Ferreira afirmou que os valores referem-se ao acompanhamento de obras privadas no DF e em Goiás, embora não tenha detalhado quais seriam esses empreendimentos.
O departamento jurídico da Real JG declarou que as duas companhias não pertencem ao mesmo grupo empresarial. Contudo, ambas compartilham o mesmo escritório de contabilidade e foram fundadas por José Gomes, ex-deputado distrital do mesmo partido da governadora, que teve o mandato cassado após acusações de coagir funcionários a votarem nele em 2018. O empresário não respondeu aos contatos.


