O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, apresentou um plano para promover a saída de quase toda a população palestina da Faixa de Gaza. A proposta, denominada “Plano Nacional de Trabalho para a Emigração Voluntária da Faixa de Gaza”, prevê a transferência de 1,86 milhão de pessoas ao longo de sete anos.
O projeto estabelece a meta de retirar 250 mil pessoas no primeiro ano e 1,11 milhão em três anos. Ben-Gvir, líder do partido Poder Judaico, afirmou que o documento de 20 páginas é “realista” e “concreto”, fruto de um ano e meio de trabalho. O plano também prevê a criação de um ministério específico para gerir a emigração.
O investimento inicial previsto é de 10 bilhões de shekels (cerca de US$ 3 bilhões), valor que poderia chegar a 50 bilhões de shekels com a inclusão de financiamento internacional. Os recursos seriam usados para criar rotas de saída, negociar acordos com países de destino e oferecer pacotes de assistência aos emigrantes.
Embora utilize o termo “voluntária”, a proposta foca em uma população sob ocupação militar israelense e em condições extremas de sobrevivência. Segundo a imprensa internacional, a transferência forçada de civis de territórios ocupados é proibida pelo direito internacional humanitário e pode ser classificada como crime de guerra.
Ben-Gvir declarou que existem países dispostos a receber os palestinos, mas não identificou quais seriam as nações. Paralelamente, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o governo buscava apoio da administração de Donald Trump para promover esse deslocamento.
A iniciativa ocorre às vésperas das eleições de outubro. O Poder Judaico, que pode conquistar sete cadeiras no Parlamento, pretende transformar a retirada da população de Gaza em uma de suas principais bandeiras eleitorais e condição para integrar a próxima coalizão governamental.


