O governo de Luiz Inácio Lula da Silva mudou o critério de medição da fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para anunciar que a espera pelos benefícios foi zerada. A decisão ocorre mesmo com 235 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias, prazo que o próprio Executivo utilizava para classificar um requerimento como atrasado.
Durante evento no Palácio do Planalto, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, informou que o número de pedidos pendentes caiu para 1,252 milhão em 31 de agosto. No mesmo período, a quantidade de novos requerimentos mensais chegou a 1,394 milhão. Como o estoque ficou abaixo do fluxo de entrada, o governo passou a considerar que a fila foi zerada.
A presidente do INSS, Ana Cristina Silveira, detalhou que dos processos em análise, 640 mil são recentes e 378 mil aguardam a apresentação de documentos pelo cidadão. Os 235 mil casos com mais de 45 dias de espera representam uma queda de 87% em relação a janeiro, quando o volume era de 1,9 milhão. Silveira disse que esses pedidos envolvem casos de maior complexidade.
Até junho, a meta do governo era eliminar o estoque de requerimentos com mais de 45 dias de espera até o fim de setembro. Naquela ocasião, a apuração indicava que a pressa se dava pela proximidade das eleições presidenciais, para evitar que a oposição utilizasse o tema para desgastar a imagem do presidente.
A redução da espera tornou-se prioridade no início do ano, após o estoque de pedidos atingir o pico de 3,1 milhões em janeiro de 2026. O volume era superior aos 2 milhões registrados na gestão de Jair Bolsonaro. Queiroz afirmou que recebeu a missão de restabelecer a credibilidade do órgão.
Segundo o INSS, a média de espera atual é de 34 dias. O órgão informou que, em julho, respondeu a 1,6 milhão de processos, enquanto entraram 1,4 milhão de novos pedidos no sistema.


