O ministro Gilmar Mendes defendeu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal (PF) que trabalham nos gabinetes de integrantes da Corte. A proposta ocorre em meio a uma crise interna provocada por investigações sobre o Banco Master e tensões entre o ministro André Mendonça e a cúpula da PF.
A avaliação de Gilmar é que a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode criar uma relação inadequada entre investigadores e os ministros responsáveis pela condução dos inquéritos. A discussão ganhou força após a PF identificar o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas.
Atualmente, seis delegados da PF estão cedidos ao Supremo, segundo o Portal da Transparência do STF. Quatro atuam diretamente em gabinetes e um na segurança da Corte. André Mendonça conta com Graziela Machado e Thiago Marcantonio; Alexandre de Moraes trabalha com Fábio Shor e Anderson Antonio Ferreira de Souza; e Luiz Fux tem Fábio Lucena em seu gabinete. Raphael de Mello Batista atua na Polícia Judicial.
Os delegados prestam apoio técnico na análise de investigações criminais, relatórios e diligências. Em nota, o STF afirmou que a atuação nos gabinetes não se confunde com o exercício de atribuições próprias da PF, como a condução de investigações ou a prática de atos de polícia judiciária.
A eventual medida atingiria os gabinetes de Mendonça, Moraes e Fux. Em junho, o Ministério da Justiça solicitou a devolução de policiais federais cedidos a mais de 50 órgãos públicos para combater o crime organizado, mas o STF foi excluído da lista para evitar prejuízos a investigações em curso.
A tensão entre Mendonça e a cúpula da PF se aprofundou após o ministro determinar que a corporação identificasse interlocutores de Vorcaro mencionados em material apreendido. Thiago Marcantonio, assessor de Mendonça desde 2025, auxilia o magistrado em processos sobre fraudes no Banco Master e desvios no INSS.


