O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (3), a realização de reformas profundas no sistema político e no Judiciário. A declaração ocorre após o ministro André Mendonça tornar públicos detalhes de uma investigação da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Lula afirmou, em vídeo gravado no Palácio do Planalto, que as investigações devem ocorrer sem blindagens e que o povo brasileiro tem o direito de saber a verdade. O presidente classificou o escândalo do Banco Master como o maior roubo da história do Brasil e disse que o banqueiro possui relações com pessoas poderosas.
Para se afastar da crise, Lula informou que Vorcaro foi preso e teve seu banco liquidado durante a gestão atual. Ele criticou a ocorrência de vazamentos seletivos e disse esperar que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do STF, ministro Edson Fachin, conduzam o processo para preservar a integridade das instituições.
A crise foi deflagrada na terça-feira (1), quando Mendonça retirou o sigilo de apurações da Polícia Federal. Documentos indicam que Alexandre de Moraes teria editado a versão de um contrato de R$ 131 milhões para que o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, prestasse serviços ao Banco Master.
Mensagens da Polícia Federal revelam que Vorcaro tentou contato com Moraes para reverter sua situação jurídica antes de ser preso, em novembro do ano passado. O banqueiro também teria liberado cartões de crédito com limites de R$ 300 mil para os dois filhos do ministro, além de um contrato para que Viviane se tornasse sócia de aeronaves dele.
Como reação, Moraes pediu nesta quinta-feira (3) a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news por suposto abuso de autoridade. O ministro alegou quebra da imparcialidade judicial e acusou Mendonça de interferir na direção das investigações policiais, solicitando providências ao ministro Edson Fachin.


