O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), informou a aliados que está arrependido de ter chamado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “ditador” e “tirano” em 2025. Ele prepara para a manifestação de 7 de Setembro deste ano, na Avenida Paulista, um discurso de tom institucional.
A nova orientação é direcionar as críticas à atuação da Corte e cobrar a apuração de suspeitas envolvendo seus integrantes, evitando ataques pessoais. Nesta semana, Tarcísio afirmou que o STF está “sob suspeição” e que a confiança na instituição não será recuperada com silêncio e corporativismo, citando revelações sobre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo interlocutores, o tom incisivo adotado no ano passado refletiu a pressão do público presente no ato. Na ocasião, o governador declarou que não aceitaria a “ditadura de um poder sobre o outro” e que ninguém suportava a tirania de Moraes. O episódio ocorreu quando Tarcísio era apontado como possível candidato da direita à Presidência da República.
A mudança de postura ocorre enquanto o governador busca se afastar da polarização para manter o apoio de eleitores de centro durante a campanha. Pesquisa Atlas/Estadão divulgada nesta quinta-feira (3) indica que Tarcísio lidera as intenções de voto com 51,1%, contra 39,9% do ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Tarcísio e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), devem participar do evento organizado pela campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. O ato na Paulista é visto como uma oportunidade para a campanha de Flávio demonstrar força popular após o lançamento de sua candidatura no Rio de Janeiro ficar abaixo das expectativas.
O entorno do governador considera que os desdobramentos envolvendo Moraes e Vorcaro tendem a fortalecer Flávio eleitoralmente. Tarcísio e Nunes são vistos como os principais cabos eleitorais do senador em São Paulo, buscando apresentar o apoio como defesa do legado de Jair Bolsonaro.


