O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu deixar a conclusão da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 para depois do primeiro turno da eleição. A medida frustra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que esperava a aprovação do texto nesta quinta-feira (3).
Alcolumbre afirmou que a votação ocorrerá após as eleições, justificando a decisão pela resistência de senadores de oposição e de parte do centrão. A declaração foi feita durante sessão no plenário, após discurso do senador Paulo Paim (PT-RS) em defesa da proposta.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, declarou que ainda haveria chances de convencer o presidente da Casa a votar o texto nesta quinta-feira. No entanto, integrantes da articulação política do governo admitem nos bastidores que não há possibilidade de votação antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), informou que o acordo com Alcolumbre não previa a pauta do plenário, mas sim o encaminhamento de projetos como a PEC da Segurança Pública, a medida provisória da taxa das blusinhas e o projeto de lei dos minerais críticos. A proposta do fim da 6×1 havia sido aprovada na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Para que a PEC seja aprovada no plenário, são necessários 49 votos dos 81 senadores em dois turnos. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), sugeriu que a decisão de não votar agora partiu da própria base governista para evitar riscos políticos diante da articulação contrária da oposição.
Aliados do Planalto pretendem agora tentar a votação até o segundo turno da eleição presidencial, previsto para 25 de outubro. O grupo avalia que a proximidade dessa data pode ser vantajosa para o presidente Lula em uma eventual disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que defende uma proposta alternativa baseada na livre negociação entre patrões e empregados.


