A Polícia Federal (PF) apura se o ex-governador Cláudio Castro (PL) utilizou interpostas pessoas para quitar despesas incompatíveis com seus rendimentos, incluindo a reforma de uma adega em Petrópolis, na região Serrana do Rio, orçada em R$ 245 mil. A investigação ocorre no âmbito da Operação Sem Refino.
Documentos obtidos pela PF indicam que Castro rompeu o contrato de locação do imóvel no dia 1º de abril, alegando a impossibilidade de permanecer na casa devido a reajustes no valor do aluguel, que era de R$ 3,5 mil mensais. A rescisão ocorreu um dia após o ex-governador receber a proposta final para a obra da adega, batizada de “Adega Cláudio Castro”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concluiu que Castro exercia a posse de fato do imóvel, que estava registrado em nome de uma empresa ligada ao empresário Luiz Fernando Gomes. Segundo a PF, a firma obteve contratos de R$ 355 milhões com o governo estadual durante a gestão de Castro. Os investigadores suspeitam que a reforma fizesse parte de um esquema de branqueamento de capitais.
Mensagens trocadas com o sommelier Dionísio Chaves, responsável pelo projeto, mostram o ex-governador referindo-se à intervenção como “minha obra”. Chaves afirmou em depoimento que o projeto não foi executado por falta de pagamento após Castro deixar a residência. No mês seguinte à saída da casa em Petrópolis, o político firmou contrato de locação de uma cobertura na Barra da Tijuca por R$ 10 mil mensais.
Durante buscas na casa, agentes encontraram uma embalagem de presente para a ex-primeira-dama e contas de streaming da Netflix vinculadas aos nomes de Cláudio, Analine e João Pedro. A PF apura se Castro recebeu benefícios da empresa Refit, por meio de terceiros, como contrapartida por favorecer interesses do empresário Ricardo Magro.
Em nota, a defesa de Cláudio Castro afirmou que o imóvel era alugado e negou qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros. O texto declarou que o ex-governador não praticou ato ilícito e que não há relação entre a residência e a empresa Refit.


