Tim Cook deixou o cargo de CEO da Apple nesta terça-feira (1º), transferindo a liderança da companhia para o chefe de hardware John Ternus. O executivo permanece na empresa como presidente executivo, com foco na gestão de relacionamentos estratégicos com governos dos Estados Unidos e da China.
Cook receberá um salário anual de US$ 2 milhões a partir de 26 de setembro. Além do vencimento fixo, documentos regulatórios indicam que o executivo recebeu uma concessão de ações com valor-alvo de US$ 45 milhões. A mudança no comando foi anunciada pela empresa em abril.
A permanência de Cook na estrutura de poder justifica-se por sua habilidade de negociação com o presidente Donald Trump. Durante 15 anos à frente da Apple, Cook gerenciou acordos sobre tarifas e a estratégia de manufatura da companhia, mantendo acesso direto ao Salão Oval para evitar sobretaxas sobre produtos fabricados na China.
A relação entre as partes envolveu promessas de investimentos massivos. Em fevereiro de 2025, a Apple anunciou a aplicação de US$ 500 bilhões nos Estados Unidos em quatro anos, com a contratação de 20 mil trabalhadores. Em agosto do mesmo ano, o compromisso total foi elevado para US$ 600 bilhões após Trump ameaçar impor tarifas de 100% sobre semicondutores importados.
O executivo também é responsável por mediar os laços com Pequim, dado que a cadeia de suprimentos da Apple permanece dependente da Ásia. Segundo a imprensa local, Cook esteve entre os nomes cotados para acompanhar o presidente americano em viagem à China para encontrar Xi Jinping.
Cook assumiu a liderança da Apple em 2011, pouco antes da morte de Steve Jobs. Sob sua gestão, o valor de mercado da empresa subiu de US$ 347 bilhões para US$ 4,6 trilhões. Em entrevista concedida em março, Cook afirmou que seu foco são as políticas públicas, e não a política partidária.


