A Confederação Israelita do Brasil (CONIB) lançou, nesta quarta-feira (1), o projeto “Decodificando o Antissemitismo”, composto por um livro e uma plataforma digital. A iniciativa visa identificar e enfrentar discursos de ódio contra judeus, especialmente no ambiente virtual, onde se concentra a maioria das ocorrências registradas pela entidade.
O Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025 indica um aumento de 149% nos registros em relação a 2022, ano em que foram contabilizados 397 casos. Segundo a apuração da entidade, 80,9% das ocorrências aconteceram em plataformas digitais. O monitoramento identificou 115.970 menções antissemitas, com alcance potencial de 66 milhões de pessoas.
A primeira etapa do projeto é o livro “Decodificando o Antissemitismo: Um Atlas de Tropos de Ódio, do Deicídio ao Genocídio”, escrito por Anelise Fróes, Matheus Alexandre e Bruno Cardoni Ruffier. A obra utiliza pesquisas históricas e sociológicas para mostrar como estereótipos antigos migraram para imagens, memes e teorias conspiratórias.
Anelise Fróes, uma das autoras, afirmou que não é possível enfrentar o discurso de ódio sem saber reconhecê-lo. A autora declarou que a internet não é terra de ninguém e que a liberdade de expressão não pode significar o cometimento de crimes de ódio.
Além do livro, a CONIB disponibilizou uma plataforma digital com o conteúdo integral do Atlas, mais de 2 mil imagens, podcasts, videoaulas e um canal de denúncias. Rony Vainzof, diretor responsável pelo Projeto Nacional de Enfrentamento ao Antissemitismo da organização, explicou que o desafio reside em identificar manifestações codificadas em símbolos e memes.
Apresentado em São Paulo, o projeto atuará permanentemente nas áreas de educação e monitoramento. A iniciativa surge em um cenário onde as redes sociais se tornaram o principal espaço de disseminação de manifestações antissemitas no país.


