Um editorial publicado nesta sexta-feira (4) defende a saída de Paulo Gonet da Procuradoria-Geral da República (PGR). O texto afirma que a permanência do chefe do Ministério Público Federal (MPF) tornou-se insustentável após a divulgação de mensagens que revelam proximidade entre o procurador-geral e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
De acordo com a apuração, mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) mostram uma relação marcada por manifestações de carinho e encontros requintados. O texto menciona que Vorcaro teria tentado mobilizar o ministro Alexandre de Moraes para obstruir investigações, citando o nome de Gonet. Não há prova de que o procurador-geral tenha atendido aos pedidos, mas ele solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento sumário da apuração.
A crítica aponta que Gonet teria agido de forma contraditória ao invocar o princípio do juiz natural para remeter à primeira instância a investigação envolvendo o filho do presidente Lula, enquanto teria tolerado a expansão de competência do Supremo em outros casos de cidadãos sem foro.
O editorial menciona que o procurador-geral teria trocado a imparcialidade por benefícios, como uísque, charutos e uma viagem a Londres para um dos filhos, custeada por Vorcaro. Essa proximidade criaria, segundo a análise, uma questão de suspeição que justifica a substituição do cargo.
A lei prevê crimes de responsabilidade para o procurador-geral, incluindo a emissão de pareceres quando legalmente suspeito ou conduta incompatível com a dignidade do cargo. O texto sugere que a renúncia voluntária seria a melhor solução para evitar o aprofundamento da crise moral no sistema de Justiça.
Caso Gonet decida permanecer no posto, a competência para examinar se as condutas configuram crimes de responsabilidade e eventuais medidas de afastamento cabe ao Senado.


