O presidente da Colômbia, Abelardo De La Espriella, publicou um vídeo na rede social X nesta quarta-feira (3) em que aparece caminhando ao lado de sacos funerários com corpos de rebeldes. A ação ocorreu após uma operação militar que resultou na morte de 23 pessoas e na captura de seis, incluindo um líder dissidente conhecido como Tigre.
Vestindo traje verde-escuro, semelhante ao dos militares, o mandatário apresentou os corpos como provas de uma operação que classificou como a mais bem-sucedida da Colômbia nos últimos 12 anos. Espriella afirmou que a determinação de erradicar o grupo é absoluta, descrevendo a organização como um câncer. Segundo o governo, o líder capturado, Tigre, seria o terceiro na hierarquia do grupo e teria recrutado crianças.
Especialistas apontam que a atitude reflete uma tendência regional de líderes que utilizam imagens de supostos criminosos para demonstrar o poder do Estado. Elizabeth Dickinson, vice-diretora para a América Latina do International Crisis Group, afirmou que a prática promove uma punição moral, tratando os alvos como pessoas que não merecem as garantias do devido processo legal. O analista Adam Isacson, do Washington Office on Latin America, comparou a estratégia a lutas profissionais para apelar aos instintos básicos da população.
A divulgação de corpos tem peso histórico na Colômbia devido ao escândalo dos falsos positivos no início dos anos 2000, quando soldados mataram quase 8 mil civis e os apresentaram como guerrilheiros mortos em combate. Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos, disse que a imagem do presidente ao lado de cadáveres elimina a distinção entre combatentes e civis.
A operação resultou também no resgate de uma criança recrutada, que foi entregue ao órgão de proteção à infância do país. As identidades dos mortos não foram divulgadas e a ação ainda não passou pelas investigações obrigatórias após operações militares com óbitos. O país firmou acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em 2016, mas facções dissidentes continuam atuando no território.


