O delegado da Polícia Civil de Goiás, Alexandre Bruno de Barros, negou as suspeitas de desvio de mercadorias durante sua gestão na Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar). Alvo de afastamento cautelar por 90 dias, o policial apresentou documentos que comprovam pedidos de galpões públicos à cúpula da corporação.
A defesa do delegado encaminhou manifestação formal com a cronologia de alertas enviados à Polícia Civil de Goiás (PCGO), à Promotoria do Controle Externo e ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPGO). Em maio de 2022, Barros oficiou a direção da PCGO solicitando a contratação de estruturas especializadas para armazenar bens recuperados, pedido negado pela instituição em outubro do mesmo ano sob a justificativa de inviabilidade financeira.
O delegado afirmou que a utilização de depósitos particulares ocorreu devido à falta de pátios adequados na unidade. Segundo ele, os procedimentos eram formalizados com procuração das empresas vítimas dos roubos. Barros declarou que, após a negativa de suporte da corporação, assinou despachos em janeiro de 2023 revogando as autorizações para o uso de depósitos privados.
A investigação apura o desvio de cargas de vergalhões de aço avaliadas em quase R$ 1,5 milhão, oriundas da operação Fogo Amigo, de 2021. De acordo com a apuração da Corregedoria e do Ministério Público, os materiais teriam sido levados para galpões particulares e comercializados no mercado informal. O afastamento cautelar do delegado, de um escrivão e de um agente foi determinado em 13 de julho.
Alexandre Bruno negou ter recebido propina de R$ 200 mil para a compra de um imóvel, classificando a acusação como fantasiosa. Ele informou que abriu espontaneamente seus sigilos bancário e fiscal para a Justiça. O policial também negou ter coagido ou monitorado testemunhas e advogados, afirmando que não presidiu o inquérito relacionado à carga de aço mencionada.
O delegado, que deixou a titularidade da Decar há quatro anos, disse que recebe a decisão de afastamento com serenidade e que sua equipe jurídica prepara medidas para contestar a medida.


