Cerca de 1,8 milhão de pessoas trabalham por plataformas digitais como atividade principal no Brasil, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo, realizado com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho (MPT), mostra que o grupo é composto majoritariamente por homens e trabalhadores por conta própria.
O transporte de passageiros, incluindo taxistas, concentra a maior fatia do setor, com 58,9% dos profissionais, o que soma quase 1,2 milhão de pessoas. As atividades de entrega representam 29,9% do total, ou 585 mil trabalhadores. Outros 16% atuam em serviços como eletricistas, bombeiros e diaristas.
O perfil demográfico é marcado por 84,4% de homens e 15,6% de mulheres. A escolaridade é predominantemente intermediária: 62,5% possuem ensino médio completo, enquanto 13,9% têm apenas o fundamental completo. Apenas 15,2% dos profissionais concluíram o ensino superior.
Em 2025, o rendimento por hora do trabalhador por aplicativo foi de R$ 16,20, valor 12% inferior aos R$ 18,40 recebidos por quem não usa plataformas. Para compensar a diferença e manter a renda mensal semelhante à do setor privado, esses profissionais cumprem, em média, 5,4 horas a mais de trabalho por semana.
A vantagem financeira do modelo varia conforme a instrução. Entre quem não tem instrução ou possui ensino fundamental incompleto, a renda média é de R$ 2.445, contra R$ 1.838 dos não plataformizados. No entanto, o cenário se inverte para quem tem curso superior: o rendimento médio é de R$ 5.133, valor 20,2% menor que os R$ 6.432 obtidos por profissionais fora das plataformas.
Sobre a autonomia, 86,8% são trabalhadores por conta própria. Embora 81,1% dos motoristas de transporte particular afirmem escolher seus horários, 56,3% dizem que a jornada é influenciada por bônus e promoções. Além disso, 25,3% citaram ameaças de punição ou bloqueio como fator que altera a rotina de trabalho.


