O jornalista Luís Pablo afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, continua atuando como agente político no Maranhão. Pablo, que foi alvo de busca e apreensão por reportagens sobre a família do magistrado, relatou que a percepção de interferência política é compartilhada por membros da Assembleia Legislativa e pelo governo estadual.
Em março, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o jornalista após reportagens indicarem que parentes de Dino utilizavam irregularmente carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, que suspeitava que o profissional perseguia a família do colega de corte. Pablo ficou mais de dois meses sem computador, HD externo e dois celulares.
Em agosto, Moraes determinou a quebra do sigilo da fonte, revelando que Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, forneceu as informações ao jornalista. Cutrim, aliado do governador Carlos Brandão, teve a prisão preventiva determinada por Flávio Dino em julho, além de ter sido afastado do cargo de secretário extraordinário de Assuntos Legislativos.
Segundo o jornalista, a postura de Dino é vista como política por parte da classe política maranhense. Pablo citou que o deputado Yglésio Moyses e o próprio governador Carlos Brandão questionaram a ética de o ministro julgar adversários políticos no Estado.
A apuração indica que a influência do magistrado também atingiu o Tribunal de Contas do Estado. Decisões monocráticas de Dino resultaram no afastamento do sobrinho de Brandão da presidência do órgão, permitindo que um aliado do ministro assumisse o comando da Corte.


