Uma explosão que atingiu uma cerimônia de casamento na cidade de Kuhestak, no sul do Irã, na última terça-feira, foi provocada pelo impacto direto de uma munição americana, segundo especialistas em armamentos. O ataque deixou quatro mortos e 68 feridos, sendo considerado o mais grave desde fevereiro, quando um míssil atingiu uma escola primária.
O Comando Central dos EUA confirmou a realização de ataques no sul do país no dia 1º de setembro. A operação mirava radares, sistemas de comunicação e instalações de defesa aérea da Guarda Revolucionária Islâmica, em resposta a ofensivas iranianas no Golfo. Oficiais americanos informaram que a torre de telecomunicações de Kuhestak era um alvo específico, localizada a cerca de 135 metros do local do casamento.
Quatro peritos em munições analisaram imagens do local e concluíram que os danos foram causados por detonação ao contato com o telhado, descartando que a explosão tenha sido resultado de estilhaços vindos da torre de comunicações. Trevor Ball, analista da Armament Research Services, afirmou que os danos visíveis não poderiam ter sido causados por fragmentos de um impacto próximo. O brigadeiro aposentado Gareth Collett sugeriu que pode ter ocorrido um erro de pontaria.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou em coletiva na Casa Branca que o governo investiga o caso. Vance afirmou que os EUA não têm como prática atingir civis, mas ponderou que “às vezes as coisas acontecem”. O vice-presidente questionou a veracidade de relatos do Irã e não reconheceu a confirmação das mortes por entidades humanitárias internacionais.
O imóvel destruído pertencia a um pescador que celebrava o casamento da filha. Um barbeiro da cidade relatou que diversas casas ao redor foram danificadas e vizinhos foram atingidos por objetos cortantes. Um pescador de 35 anos disse que a comunidade da costa de Makran sente que os civis estão sendo colocados na rota do conflito.
Um parente da noiva divulgou imagens de uma criança de sete anos internada com a cabeça enfaixada. De acordo com as informações, ao menos seis feridos permanecem em estado grave na UTI de um hospital em Minab, cidade situada a 30 quilômetros de Kuhestak.


