As seis principais centrais sindicais do Brasil definiram, nesta sexta-feira (4), uma agenda de mobilização para pressionar senadores a anteciparem a votação da PEC 221 de 2019. A proposta visa extinguir a escala de seis dias de trabalho por um de descanso e reduzir a jornada semanal para 40 horas antes do primeiro turno das eleições de 2026.
A decisão foi tomada em reunião do Fórum das Centrais Sindicais após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciar que a votação da proposta ocorreria somente após o período eleitoral. O grupo pretende intensificar panfletagens em centros comerciais, onde a escala 6×1 é mais frequente, além de organizar novos protestos de rua e mobilizações em redes sociais.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, afirmou que Alcolumbre foi pressionado por empresários e senadores da oposição para adiar a pauta. Segundo Nobre, a estratégia visa permitir que parlamentares evitem compromissos com a população durante a campanha. Ele defendeu que a cobrança direta nos estados pode forçar a antecipação do texto.
Miguel Torres, presidente da Força Sindical, declarou que o adiamento foi uma “surpresa negativa”. Torres citou que mais de 70% da população é favorável à medida e manifestou preocupação de que a proposta retorne à estaca zero caso a votação seja deixada para depois do pleito. As entidades solicitarão ainda uma audiência com Alcolumbre.
A PEC havia sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (2), com apenas quatro votos contrários. Para o diretor da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Paulo de Oliveira, o adiamento é desleal com os trabalhadores. Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), lembrou que a redução da jornada é uma demanda histórica de quase 100 anos.
Confederações patronais manifestam-se contra a mudança, alegando aumento de custos e riscos à economia. José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, defendeu que a discussão não ocorra sob pressão do calendário eleitoral, mas em ambiente de análise técnica. A assessoria de Alcolumbre não respondeu aos questionamentos da reportagem.


