A União Europeia suspendeu, nesta quinta-feira (3), as importações de determinados produtos de origem animal do Brasil, incluindo carne bovina, aves, ovos e mel. O governo brasileiro contestou a decisão e sinalizou a possibilidade de retaliações comerciais caso as importações não sejam retomadas, no momento em que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu entra em aplicação provisória.
A suspensão ocorreu após a Comissão Europeia retirar o Brasil da lista de países que cumprem as regras do bloco sobre antimicrobianos. As normas, introduzidas em 2018, passaram a valer para produtores europeus em 2022 e agora alcançam importadores de países terceiros. O objetivo é combater a resistência antimicrobiana.
O embaixador brasileiro junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, afirmou que não havia necessidade de auditoria para carne bovina, aves ou mel. Segundo o diplomata, o Brasil já apresentou garantias suficientes e outros países não passaram pelo mesmo procedimento. Ele informou que todas as opções de resposta estão sobre a mesa caso a medida persista.
A Comissão Europeia nega tratamento desigual. O vice-porta-voz-chefe da instituição, Olof Gill, declarou nesta sexta-feira (4) que a abordagem é não discriminatória e que os parceiros comerciais tiveram tempo e informações para se adaptar às exigências.
Existe diferença no tratamento dos produtos. Auditorias para aves e mel já estão em andamento após o Brasil enviar garantias por escrito. No caso da carne bovina, a Comissão Europeia afirma que Brasília não apresentou informações suficientes para a realização da auditoria.
Para o bloco europeu, as garantias da carne bovina devem abranger o ciclo de vida completo dos animais. A instituição sustenta que, sem esses dados, não é possível comprovar que a produção brasileira atende aos padrões de uso de antimicrobianos.


