A Polícia Federal concluiu que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), utilizou seu cargo para criar um ambiente institucional favorável à empresa Refit. As conclusões constam em uma representação de 112 páginas, com sigilo levantado nesta quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório detalha a entrega de vantagens indevidas ao ex-governador, como o pagamento de R$ 10.500 em caviar e o custeio do aluguel de um apartamento na Barra da Tijuca. A PF também identificou o uso de uma mansão em Petrópolis, onde foi construída uma adega personalizada, encomendada por Castro, avaliada em R$ 245.000.
Investigadores apontam que o ex-governador mantinha contato direto com o empresário Ricardo Magro e com o advogado Marcos Joaquim Gonçalves Alves para tratar de demandas da refinaria. Segundo a PF, esse canal de comunicação extrapolava o contato protocolar entre autoridades e agentes econômicos, configurando um tratamento diferenciado para a empresa.
Mensagens extraídas de celulares mostram Castro afirmando a Magro que ele teria um amigo no governo. Em outro diálogo com o advogado, o ex-governador disse que “toca por aqui” ao tratar da regularização fiscal da empresa. A PF afirma que esse conteúdo contradiz a versão de Castro, que negou envolvimento com o empresário em declarações anteriores.
A apuração também cita articulações para a renovação da licença ambiental da Refit. Diálogos entre o então secretário de Ambiente, Bernardo Rossi, e Renato Bussiere, ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), indicam esforços para superar entraves técnicos e conseguir apoio na comissão de votação.
Com base nas provas, a PF solicitou ao STF novos mandados de busca e apreensão e a quebra dos sigilos financeiro, fiscal e bursátil de investigados do núcleo político. Ricardo Magro, preso preventivamente na primeira fase da operação, permanece foragido e é alvo de difusão vermelha da Interpol.
A operação Sem Refino 2 foi deflagrada em 14 de agosto de 2026 para apurar lavagem de capitais e fraudes em licenças ambientais. A assessoria de Cláudio Castro, a Refit e os demais citados não responderam aos questionamentos até a publicação da matéria.


