O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), informou nesta sexta-feira (4) que não assinou o novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão visa evitar que a defesa do magistrado alegue nulidade processual ou parcialidade dos senadores, que atuariam como julgadores caso o processo seja admitido.
Em nota oficial, Marinho afirmou que qualquer detalhe no atual ambiente institucional pode ser utilizado como subterfúgio para anular o procedimento. O parlamentar explicou que a assinatura prévia do documento poderia dar margem para a defesa de Moraes alegar suspeição dos membros do Legislativo.
O requerimento de impeachment foi protocolado na quinta-feira (3) pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). O documento conta com 46 assinaturas, sendo 33 de senadores e 13 de deputados. Entre os signatários estão Sergio Moro (PL-PR), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e dois senadores do PSB: Flávio Arns (PR) e Chico Rodrigues (RR).
Apesar de não ter assinado o pedido de afastamento, Marinho classificou como gravíssimas as denúncias que envolvem Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O senador defendeu que o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, mantenha as apurações de forma rigorosa e transparente.
O parlamentar informou ainda que apresentou notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a prisão e o afastamento de Alexandre de Moraes, além do afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Marinho também requereu ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a abertura de investigação formal contra o ministro Moraes.
Outra medida citada na nota foi a solicitação feita à Presidência da República para o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Marinho declarou que a ausência de sua assinatura na representação do impeachment não sinaliza recuo no enfrentamento aos abusos de poder.


