A Polícia Federal (PF) reuniu indícios de que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), atuou diretamente para beneficiar os interesses do Grupo Refit. As evidências constam em decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo da investigação na última quinta-feira (3).
Os dados foram extraídos do celular de Castro e fazem parte da operação Sem Refino 2. Mensagens revelam que o ex-governador tratava o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, como “amigo”, contrariando declarações públicas anteriores em que negava envolvimento com o proprietário da antiga Refinaria de Manguinhos.
A PF apurou que Magro organizou e atuou como guia em uma viagem de Castro a Nova York. Segundo os investigadores, o evento foi patrocinado pela Refit e envolveu reuniões entre secretários estaduais e o empresário. Após a viagem, Castro escreveu a Magro: “Aqui você tem um amigo. Saiba disso”.
A investigação aponta ainda a atuação pessoal do ex-governador para viabilizar a regularização fiscal da empresa. Em diálogos com Marcos Joaquim Gonçalves Alves, advogado da Refit, Castro afirmou “Eu toco por aqui” ao tratar de demandas administrativas e protocolos de processos no estado.
De acordo com a PF, Castro teria criado um “ambiente institucional favorável” ao grupo. Um dos casos citados é a renovação, em maio de 2024, da Licença de Operação e Recuperação da refinaria, aprovada apesar de votos contrários do Ibama e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que alertaram sobre contaminação de solo e águas.
Ricardo Magro está foragido e foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol. A defesa de Cláudio Castro negou qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro ou favorecimento a terceiros. A nota afirma que a viagem a Nova York foi oficial, paga pelo governo, e que os contatos com a Refit foram estritamente institucionais.
A defesa do ex-governador solicitou ao ministro Alexandre de Moraes que Castro seja ouvido pela PF para apresentar documentação e esclarecer os pontos da investigação. O pedido aguarda decisão judicial.


