A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) monitora a qualidade do ar em 85 estações distribuídas pelo estado, sendo 63 automáticas e 22 manuais. O sistema analisa seis tipos de poluentes definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para classificar o ar como bom, moderado, ruim ou muito ruim.
A medição foca em material particulado e gases. As partículas de 10 micrômetros (PM10), provenientes de poeira de estradas e construções, costumam causar irritação nos olhos e tosse. Já as partículas finas de 2,5 micrômetros (PM2,5), oriundas de queimadas e escapamentos a diesel, podem atingir os alvéolos pulmonares e a corrente sanguínea, provocando AVC e câncer de pulmão.
Entre os gases monitorados estão o monóxido de carbono, dióxido de enxofre, dióxido de nitrogênio e o ozônio. Segundo a gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb, Maria Lúcia Guardani, o ozônio é o poluente gasoso que gera maior preocupação em São Paulo devido ao volume de emissões no estado, podendo causar inflamações pulmonares.
As estações automáticas realizam calibrações diárias durante a madrugada para garantir a precisão milimétrica na identificação de microgramas de material por metro cúbico. Os dados são processados em tempo real por uma sala telemétrica, que consolida as informações ambientais de todo o território paulista.
A qualidade do ar é influenciada por fatores meteorológicos. Guardani explicou que a chuva “lava o ar”, removendo as partículas sólidas. No inverno, a estiagem e a baixa umidade favorecem a concentração de poluentes, enquanto ventos fortes podem dispersar cinzas de queimadas por grandes áreas.
Na capital e região metropolitana, a frota de veículos é um fator significativo na emissão de gases e na ressuspensão de partículas do solo. A gerente afirmou que o uso de etanol na gasolina, em proporção maior que em outros países, reduz a poluição gerada por motores de combustão interna no Brasil.
Diariamente, às 11h, a companhia publica um boletim com o resumo das últimas 24 horas e a previsão de dispersão dos poluentes. O Estado de Atenção é declarado quando a poluição atinge o nível péssimo e a previsão meteorológica indica que as condições não favorecerão a limpeza do ar por ao menos um dia.


