A Justiça de Goiás decretou, nesta sexta-feira (4), a prisão preventiva do advogado Alan Araújo Dias por descumprimento de medida protetiva de urgência. A decisão, assinada pela juíza Hanna Lídia Rodriguees no 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia, converteu a prisão em flagrante do profissional em preventiva.
Na fundamentação, a magistrada afirmou que o advogado tinha ciência das medidas impostas e praticou grave ameaça por meio de gestos. O investigado já estava sob monitoramento eletrônico, mas a juíza considerou a medida insuficiente diante de novos descumprimentos. Segundo o documento, a liberdade de Dias representa perigo concreto à integridade física e psicológica da vítima.
A decisão cita um vasto histórico de registros de descumprimento em um intervalo de aproximadamente dois anos, a maioria contra a mesma vítima. A juíza argumentou que, por ser pessoa esclarecida e conhecedora da lei, o advogado deveria orientar suas atitudes e os locais frequentados pelas restrições judiciais. O texto registra que ele frequentou a mesma rua da escola do filho da vítima, assumindo o risco de encontrá-la.
A defesa, representada pelo advogado Adolfo Kennedy, contestou a versão sobre a aproximação. Em nota, informou que Alan procurou o Conselho Tutelar da Vila União para denunciar supostos maus-tratos contra a filha de nove meses e que não sabia que o enteado estudava em escola próxima. A defesa sustenta que a vítima teria procurado contato físico com o advogado ao percebê-lo no órgão.
A magistrada ressalvou que as versões controversas serão esclarecidas durante a investigação, mas manteve a prisão por haver indícios de autoria e materialidade. O documento determina a comunicação imediata à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre a prisão por crime comum e concede sala especial ao custodiado devido à sua condição profissional.


