A Polícia Federal (PF) informou que não produziu o relatório que circulou nas redes sociais na quinta-feira (3), o qual concluía pela inexistência de crimes em conversas entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O documento chegou a ser republicado pelo parlamentar.
A montagem surgiu poucas horas após a divulgação de áudios e mensagens trocadas entre o deputado e o banqueiro. O texto atribuído à PF descrevia os contatos como de natureza pessoal e profissional, mencionando pedidos de intermediação para um ex-assessor e manifestações sobre o Fórum de Londres. A conclusão falsa indicava que as mensagens não justificavam a abertura de investigação contra o deputado.
A corporação apontou diversas inconsistências no material. O documento apresentava erros de português, uso de emojis e a denominação inadequada de “Relatório de Análise de Dados”. O emblema da PF estava incorreto, com falhas no desenho das fitas e no acento da palavra “Polícia”. Além disso, a numeração dos tópicos era irregular, saltando do item 7 para o 7.3.
Uma análise feita por ferramenta da OpenAI identificou a presença de SynthID no arquivo, tecnologia usada para marcar conteúdos gerados ou editados por inteligência artificial. A empresa confirmou que a marca indica a passagem do arquivo por processos de geração de IA, o que reforça a conclusão de que o texto não foi elaborado pela PF.
O documento citava 18 de novembro de 2025 como data de extração de dados, dia em que Vorcaro teria sido preso. Nas mensagens reais, enviadas em março de 2025, Nikolas solicita auxílio do banqueiro para a liberação de um ativo de minério e Vorcaro afirma ter custeado voos do parlamentar. O deputado negou irregularidades.
A assessoria de Nikolas Ferreira afirmou que ele republicou o conteúdo após a divulgação por um portal e deletou a postagem assim que soube da falsidade. De acordo com a apuração, a falsificação de documento público prevê pena de dois a seis anos de reclusão e multa, conforme o Código Penal.


