A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a abertura de uma apuração sobre possível interferência na produção de um relatório da Polícia Federal (PF). O documento aponta a existência de relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça e menciona trocas de mensagens que sinalizam discussões sobre a possibilidade de a PF deflagrar operação contra Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é citado no material, determinou a instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial.
Gonet afirmou que a Polícia Federal deverá esclarecer se houve ordem ou interferência externa que tenha maculado o conteúdo do texto. A medida ocorre após pedido de esclarecimentos de Edson Fachin sobre a produção do material, que agora está sob o comando do presidente da Corte.
A PGR alegou que não foi comunicada sobre a determinação de Mendonça e que a decisão nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público. Segundo a procuradoria, a ausência de manifestação do órgão impediu o controle externo da atividade policial, etapa considerada essencial em investigações. Gonet declarou que a investigação é nula.
O documento, que teve o sigilo retirado por André Mendonça no dia 1º de setembro, detalha encontros pessoais e reuniões em residências privadas entre Moraes e Vorcaro entre março de 2024 e agosto de 2025. As conversas mencionam compromissos em Brasília, em Campos do Jordão (SP) e eventos internacionais, como o Fórum Jurídico de Londres, patrocinado pelo Banco Master.
O relatório da PF descreve diálogos entre assessores sobre a logística de transporte para ministros do STF e a programação de painéis no evento em Londres. Mendonça sugeriu que os elementos do caso sejam avaliados pelo plenário do Supremo.


