Duas terapias experimentais que prometem imitar os efeitos do exercício físico ganharam destaque, mas especialistas alertam que nenhuma delas substituirá a atividade física real. As novas abordagens, que incluem uma pílula e um implante de células, atuam em apenas alguns dos centenas de mecanismos ativados pelo treinamento de força e aeróbico.
A pílula ENV-308, desenvolvida pelo laboratório americano Enveda, é o primeiro medicamento projetado para imitar o Lac-Phe, hormônio liberado pelos músculos durante exercícios de alta intensidade. O fármaco foca em pessoas que utilizam canetas emagrecedoras e desejam evitar a perda de massa muscular. Em testes com 88 voluntários saudáveis, a substância foi bem tolerada e não apresentou problemas gastrointestinais.
Segundo a Enveda, a ENV-308 reduziu a leptina circulante, indicando potencial contra a obesidade. Estudos com animais mostraram que o medicamento preservou os músculos durante a perda de peso e evitou o reganho após a interrupção do uso de canetas. Especialistas afirmam que, se aprovada, a droga servirá como complemento ao exercício, e não como substituta.
Em outra frente, cientistas do Instituto de Células-Tronco e Medicina Regenerativa de Pequim desenvolveram um implante vivo composto por 6 milhões de miócitos. A cultura de células musculares forma mini vasos sanguíneos e pulsa continuamente. Em testes com camundongos, a técnica aumentou a massa muscular, melhorou a função imunológica e reverteu danos no fígado.
O pesquisador Ng Shyh-Chang explicou que o implante visa ajudar pessoas que perderam os movimentos. Testes em humanos com mobilidade reduzida estão previstos para 2027. Tang Hong-Wen, da Escola de Medicina Duke-NUS, em Cingapura, classificou a solução como um paliativo, já que o enxerto não reproduz efeitos cardiovasculares e de carga óssea do exercício real.
Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), afirmou que o exercício promove uma remodelação no metabolismo. Para o médico, a atividade física atua sobre inúmeras funções do organismo, enquanto as drogas focam em apenas um ou dois alvos.


