O Brasil registrou um salto de 4% para 46% no percentual de bebês de seis meses que mamam exclusivamente no peito em quatro décadas, tornando-se referência global na área. Entre os atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), esse índice chega a 59%, segundo dados do setor de saúde.
Apesar do avanço, a indústria de fórmulas infantis é apontada como um fator de sabotagem ao aleitamento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) proibiu a propaganda direta de fórmulas em 1981, após estimativas de que milhões de crianças morreram de diarreia e desnutrição nos anos 1970 devido ao uso de pó diluído em água suja e latas caras.
No Brasil, foram implementados o Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento em 1981 e a Norma Brasileira e Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno (NBCAL) em 1988. Em 1992, surgiram a Iniciativa Hospital Amigo da Criança e a Semana Mundial do Aleitamento.
Artigos da revista The Lancet, publicados em 2023, acusam a indústria de influenciar crenças de profissionais de saúde, que prescrevem complementos alimentares diante de dificuldades que poderiam ser resolvidas com a correção da mamada. A “confusão de bico”, causada pelo uso de mamadeiras, dificulta a sucção no seio e leva muitas mães a abandonarem a amamentação.
Fatores domésticos e a falta de informação também contribuem para a interrupção do processo. A crença de que a pequena quantidade de colostro nos primeiros dias é insuficiente e a pressão de familiares para o uso de fórmulas são obstáculos comuns. Especialistas orientam a livre demanda e alertam que dores persistentes na amamentação exigem avaliação profissional para corrigir a pega.
O suporte familiar e institucional é considerado decisivo para o sucesso do aleitamento. O país possui a maior rede de bancos de leite humano do mundo, que oferece apoio gratuito e consultoria especializada para as lactantes.


