A escritora e psiquiatra Natalia Timerman lançou o livro “Antes que apague”, publicado pela Companhia das Letras. A obra apresenta a história de uma narradora que lida com o apagamento da memória da mãe, Alice, diagnosticada com Alzheimer, enquanto investiga um segredo guardado pela personagem desde a juventude.
A autora, de 45 anos, relatou que a escrita do romance foi marcada por angústia, já que sua própria mãe, de 72 anos, convive com a doença há cerca de uma década. Natalia afirmou que chegou a cogitar desistir da literatura por se sentir culpada ao utilizar a experiência pessoal no texto, mas ressaltou que a obra não deve ser lida como uma autobiografia.
Na trama, a narradora busca preencher as lacunas deixadas pelo silêncio da mãe. Segundo a autora, o livro recusa a prática de famílias que escondem tragédias e busca humanizar a figura materna para além do papel de mãe, expondo a complexidade e as imperfeições da personagem.
Formada em Medicina, Natalia Timerman concilia a carreira de psiquiatra com a literatura em São Paulo. Ela explicou que a maternidade, longe de ser um impedimento, funcionou como um estímulo para consolidar sua trajetória como escritora após o nascimento do primeiro filho.
A autora soma seis livros publicados e já foi finalista do Prêmio Jabuti com o volume de contos “Rachaduras” (2019). Outra de suas obras, “Copo vazio” (2021), tornou-se best-seller ao tratar de desordem psíquica e emocional em relacionamentos modernos.
Sobre os próximos projetos, a escritora informou que pretende se afastar do tema familiar. Natalia pesquisa atualmente sobre aranhas e natação, além de planejar textos sobre estados alterados de consciência e a relação com erros do passado na era da internet.


