Pesquisadores das Faculdades de Odontologia e de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto desenvolveram uma gelatina balística nacional que reproduz os tecidos moles humanos. O material segue as normas do Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) e visa suprir a demanda de perícias policiais e hospitais.
O projeto nasceu da pesquisa de mestrado de Lucas Messiano, com orientação do professor João Paulo Mardegan Issa, da Faculdade de Odontologia da USP em Ribeirão Preto. O desenvolvimento foi motivado pelos altos custos de importação do produto dos Estados Unidos e pelos conhecimentos da equipe em biomateriais.
A primeira versão do material possui concentração de 10% e simula tecidos de baixa densidade, como os pulmões. Já a segunda versão, desenvolvida durante o doutorado de Messiano, apresenta concentração de 20%, o que permite simular tecidos musculares mais estruturados.
Na segurança pública, a gelatina permite definir a trajetória de projéteis e verificar se a munição atravessou barreiras, como madeira ou lataria, antes de atingir a vítima. O dispositivo também serve para testar diferentes munições e definir cenários para cessar agressões.
No campo médico, a tecnologia auxilia no dimensionamento do dano para intervenções cirúrgicas. No âmbito jurídico, o material fornece estimativas de dano para analisar se houve excesso de força em ocorrências.
A patente do produto está em desenvolvimento e atraiu interesse de aceleradoras, startups e grupos de Minnesota, nos Estados Unidos. Para que o material chegue a delegacias e hospitais, a equipe busca aportes financeiros e novas parcerias para escalar a fabricação e entrar no mercado.


