A empresa americana AMD manifestou interesse em fornecer componentes para o supercomputador de inteligência artificial (IA) do governo federal. O projeto, com investimento previsto de R$ 1,06 bilhão, será adquirido via edital e instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte.
A participação da companhia ocorrerá por meio de parceiros como HP, Lenovo e Dell, que montam propostas de clusters integrando tecnologia e custo. Sergio Santos, diretor-geral da AMD no Brasil, afirmou que a empresa forneceu informações ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) durante a elaboração do edital e acredita na competitividade dos seus projetos para a compra governamental.
A estratégia da fabricante foca na venda de CPUs, os processadores tradicionais, cujas demandas crescem com a sofisticação das tarefas de inferência executadas por agentes de IA. Enquanto o mercado de GPUs é dominado pela Nvidia, com fatia entre 80% e 90%, a AMD detém 30% do mercado global de CPUs, atrás da Intel, que possui 66%.
O supercomputador brasileiro será voltado para universidades, instituições de pesquisa, órgãos públicos e empresas. Segundo o MCTI, a máquina deve figurar entre as dez mais potentes do mundo para processamento de IA, visando diminuir a dependência de processamento de dados em empresas estrangeiras.
A licitação deve ser finalizada entre novembro deste ano e fevereiro de 2027, com a implantação dos equipamentos prevista até o fim do ano seguinte. A estrutura permitirá tanto o treinamento de modelos quanto a inferência de sistemas de IA.
Fora do projeto governamental, a AMD monitora a operação da OpenAI no Brasil. Santos mencionou a possibilidade de fornecer componentes caso a criadora do ChatGPT construa data centers no país. As duas empresas já possuem parceria global de GPUs avaliada em até US$ 160 milhões, firmada em outubro do ano passado.


