O Mercado Livre manterá os investimentos em logística e inclusão financeira no Brasil, independentemente do resultado das eleições presidenciais deste ano ou de alterações legislativas, como o fim da escala 6×1. A decisão reflete o otimismo da companhia com o potencial de crescimento do comércio on-line no país.
Leandro Cuccioli, vice-presidente de estratégia e relação com investidores da empresa na América Latina, afirmou que o Brasil não é uma opção, mas uma obrigação para o grupo. Atualmente, 55% das vendas da companhia, fundada na Argentina, são originárias do mercado brasileiro.
De acordo com o Relatório de Impacto Efeito Meli, a operação no país gerou R$ 73,1 bilhões em impacto econômico direto e indireto em 2025, o que representa 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). A estrutura conta com 137 centros logísticos e cerca de 5.950 agências.
O executivo comparou o estágio do varejo digital brasileiro aos 15 minutos do primeiro tempo de um jogo de futebol. No Brasil, as vendas on-line representam R$ 15 a cada R$ 100 comercializados, enquanto na China esse índice chega a 50% e nos Estados Unidos é de 30%. As vendas de mercadorias no país duplicaram nos últimos cinco anos, atingindo R$ 280 bilhões em 2025.
A estratégia de expansão inclui a atuação do Mercado Pago, braço financeiro do grupo. Em 2025, a fintech concedeu R$ 28 bilhões em crédito pessoal e R$ 15 bilhões em empréstimos para pequenas e médias empresas. O relatório indica que quase 30% dos usuários do serviço nunca haviam recebido empréstimos de bancos ou outras instituições antes de utilizar a plataforma.
Cuccioli explicou que o crescimento depende da melhoria da logística para integrar vendedores e clientes além das fronteiras regionais e ampliar as categorias de produtos. O histórico de compras no marketplace é utilizado para realizar análises de risco e conceder crédito a consumidores que possuam capacidade de pagamento.


