Pesquisas científicas indicam que o café descafeinado mantém diversos compostos benéficos presentes no grão tradicional e está associado à redução do risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. A bebida é produzida por processos industriais que removem ao menos 97% da cafeína antes da torra dos grãos.
Uma xícara de café preparada no estilo brasileiro pode conter entre 2 e 7 mg de cafeína na versão descafeinada, enquanto a porção tradicional apresenta de 70 a 140 mg. A retirada da substância não elimina nutrientes e compostos bioativos, como polifenóis e ácidos hidroxicinâmicos, embora a quantidade varie conforme o método de descafeinação.
Um estudo de 2022 publicado no European Journal of Preventive Cardiology acompanhou 449 mil pessoas por 12,5 anos. Os dados mostraram que o consumo de café, inclusive o descafeinado, associa-se a menor mortalidade e menor risco de doenças cardiovasculares. Apenas a redução de arritmias foi vinculada especificamente à versão com cafeína.
No caso do diabetes tipo 2, a relação positiva ocorre em ambas as versões da bebida. Compostos como magnésio e ácido clorogênico participam de mecanismos que influenciam a sensibilidade à insulina e o metabolismo da glicose. Antioxidantes do grão também são investigados por potencial efeito protetor contra doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Evidências observacionais relacionam o hábito ao consumo de café descafeinado a indicadores favoráveis à saúde do fígado, com a redução de certas enzimas hepáticas. No entanto, a natureza observacional dos estudos impede a afirmação isolada de que a bebida seja a única responsável pela proteção do órgão.
A versão descafeinada é indicada para gestantes, hipertensos e pessoas com ansiedade, insônia ou sensibilidade à cafeína. Também é recomendada para quem sofre de refluxo ou gastrite, por causar menos desconforto gástrico, e para pacientes que utilizam medicamentos como broncodilatadores, antibióticos ou anti-inflamatórios, como diclofenaco e ibuprofeno.


